Os sinais de autismo na infância podem aparecer de maneiras diferentes e em momentos distintos do desenvolvimento.
Algumas crianças apresentam diferenças na comunicação e na interação social ainda nos primeiros meses ou anos de vida. Em outras, os sinais ficam mais perceptíveis quando aumentam as demandas de comunicação, brincadeira e convivência com outras crianças.
Observar esses sinais não significa procurar um diagnóstico em cada comportamento diferente. O mais importante é acompanhar como a criança se comunica, interage, brinca, aprende e reage ao ambiente ao longo do tempo.
Conhecer o desenvolvimento esperado para cada fase pode ajudar pais e responsáveis a perceber quando vale buscar uma avaliação especializada.
Quais são os primeiros sinais de autismo na infância?
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) está relacionado principalmente a diferenças na comunicação e interação social, além da presença de comportamentos, interesses ou atividades restritos e repetitivos.
Os sinais variam bastante entre as crianças.
Alguns comportamentos que podem chamar a atenção são:
- pouca resposta ao próprio nome;
- menor uso de gestos para se comunicar;
- dificuldade em compartilhar interesses com outras pessoas;
- diferenças no contato visual e nas expressões sociais;
- atraso ou diferenças no desenvolvimento da fala;
- movimentos repetitivos;
- interesse intenso por determinados objetos ou assuntos;
- dificuldade para lidar com mudanças;
- formas diferentes de brincar;
- maior ou menor sensibilidade a sons, luzes, texturas, cheiros ou toque.
Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma autismo. O Ministério da Saúde recomenda considerar o conjunto das características e acompanhar o desenvolvimento da criança.
Sinais de autismo em bebês de 0 a 6 meses: o que observar?
Nos primeiros meses de vida, muitos comportamentos ainda estão em desenvolvimento. Por isso, nessa fase, o mais importante não é procurar características específicas de autismo, mas acompanhar a interação social do bebê.
Pode ser importante conversar com o pediatra quando o bebê demonstra de forma persistente pouca resposta às tentativas de interação.
Alguns aspectos que podem ser observados são:
- pouca atenção aos rostos;
- pouca troca de olhares durante as interações;
- poucas expressões sociais em resposta aos cuidadores;
- pouca reação à voz ou à presença das pessoas;
- dificuldade em participar de pequenas trocas sociais.
Cada bebê possui seu próprio ritmo. Esses comportamentos precisam ser avaliados em conjunto e considerando a idade e o desenvolvimento geral da criança.
O Ministério da Saúde aponta contato visual, sorriso social e atenção para rostos entre os comportamentos esperados nessa fase do desenvolvimento.
Sinais de autismo entre 6 e 12 meses
Entre os 6 e 12 meses, a comunicação entre o bebê e as pessoas ao redor costuma ficar mais evidente.
A criança começa a utilizar olhares, sons, expressões e gestos para participar das interações.
Nessa fase, alguns sinais podem merecer atenção:
- não responder ou responder pouco quando chamada pelo nome;
- pouco interesse em interações sociais;
- pouca imitação de sons, expressões ou movimentos;
- balbuciar pouco;
- utilizar poucos gestos;
- demonstrar pouca tentativa de chamar a atenção do adulto;
- pouca troca de olhares entre uma pessoa e um objeto.
Mais importante do que avaliar um comportamento isoladamente é observar a frequência e a qualidade das interações da criança.
Responder ao nome, balbuciar e começar a participar de imitações simples estão entre os aspectos observados no desenvolvimento nessa faixa etária.
Sinais de autismo entre 12 e 18 meses
A partir de aproximadamente 1 ano, a comunicação intencional costuma ficar ainda mais evidente.
A criança começa a usar diferentes recursos para mostrar o que deseja, pedir ajuda ou simplesmente compartilhar algo interessante com outra pessoa.
Um aspecto especialmente importante é a chamada atenção compartilhada.
Ela acontece, por exemplo, quando a criança vê algo interessante, olha para o objeto e depois olha para o adulto para compartilhar aquela experiência.
Alguns sinais que podem chamar a atenção nessa fase são:
- não responder frequentemente ao nome;
- utilizar poucos gestos;
- não apontar ou apontar pouco;
- não acompanhar o gesto quando outra pessoa aponta para algo;
- pouco interesse em mostrar objetos ou acontecimentos;
- pouca tentativa de compartilhar interesses;
- poucas palavras ou diferenças importantes no desenvolvimento da comunicação;
- preferência frequente por interações com objetos em vez de pessoas.
A atenção compartilhada e o uso de gestos, como apontar, estão entre aspectos importantes do desenvolvimento da comunicação social nos primeiros anos.
Sinais de autismo entre 18 e 24 meses
Entre 1 ano e meio e 2 anos, geralmente existe uma evolução importante na linguagem, nas brincadeiras e nas interações.
Nessa fase, alguns sinais de autismo podem ficar mais perceptíveis.
A família pode observar:
- poucas palavras ou pouca evolução da comunicação;
- dificuldade em utilizar palavras e gestos para se comunicar;
- repetição frequente de palavras ou frases;
- pouco uso de gestos como apontar, acenar ou indicar “sim” e “não”;
- dificuldade em compartilhar interesses;
- brincadeiras muito repetitivas;
- interesse intenso por partes específicas dos brinquedos;
- movimentos repetitivos;
- reações intensas quando há mudanças na rotina;
- diferenças importantes na reação a sons, texturas, luzes ou outros estímulos.
Nessa faixa etária também pode ser realizado o M-CHAT-R/F, instrumento de rastreio utilizado para identificar sinais de risco para TEA. No Brasil, o Ministério da Saúde informa que ele pode ser aplicado entre 16 e 30 meses. É importante lembrar que se trata de um instrumento de rastreio, e não de um teste que confirma o diagnóstico.
Sinais de autismo entre 2 e 3 anos
Entre os 2 e 3 anos, o desenvolvimento da linguagem, da brincadeira simbólica e da convivência com outras crianças costuma avançar rapidamente.
Por isso, algumas diferenças podem ficar mais evidentes.
Entre os sinais que podem merecer investigação estão:
- dificuldade para iniciar ou manter interações;
- pouco interesse em brincar com outras crianças;
- dificuldade em participar de brincadeiras de faz de conta;
- repetição frequente de frases ou diálogos;
- dificuldade em utilizar a linguagem para conversar ou compartilhar experiências;
- movimentos repetitivos;
- organização repetitiva de brinquedos ou objetos;
- interesses muito intensos;
- necessidade elevada de manter determinadas rotinas;
- sofrimento intenso diante de pequenas mudanças;
- reações incomuns a sons, cheiros, sabores, texturas ou toque.
Também pode acontecer de uma criança falar bastante, mas apresentar diferenças na maneira como utiliza a linguagem para interagir com outras pessoas.
Por isso, observar apenas quantas palavras a criança fala não é suficiente. É preciso entender também como ela utiliza a comunicação.
Sinais de autismo em crianças a partir dos 3 anos
Nem todas as características do autismo são identificadas nos primeiros anos.
Em algumas crianças, as diferenças ficam mais perceptíveis quando começam a aumentar as exigências sociais, principalmente na escola.
A partir dos 3 anos, podem aparecer dificuldades como:
- compreender algumas regras sociais;
- iniciar conversas ou brincadeiras;
- manter interações com outras crianças;
- compreender expressões faciais ou gestos;
- adaptar-se a mudanças;
- aceitar brincadeiras propostas por outras pessoas;
- lidar com situações imprevisíveis;
- participar de brincadeiras imaginativas;
- mudar de assunto ou atividade;
- compreender algumas situações sociais.
Também podem existir interesses muito específicos e intensos, comportamentos repetitivos ou particularidades sensoriais.
Algumas crianças desenvolvem estratégias próprias para lidar com essas situações, fazendo com que determinadas características passem despercebidas por mais tempo.
Atraso na fala é sempre sinal de autismo?
Não.
O atraso na fala pode acontecer por diferentes motivos e, isoladamente, não significa que uma criança seja autista.
Por outro lado, diferenças de comunicação podem fazer parte do TEA.
Por isso, além de observar se a criança fala, é importante perceber como ela se comunica.
Por exemplo:
- aponta para pedir alguma coisa?
- aponta para mostrar algo interessante?
- procura o adulto para compartilhar uma descoberta?
- utiliza gestos?
- responde quando alguém tenta interagir?
- busca ajuda quando precisa?
- combina olhar, gesto e vocalização para se comunicar?
Esses aspectos ajudam os profissionais a compreender melhor o desenvolvimento da comunicação da criança.
Crianças autistas sempre evitam contato visual?
Não.
Uma criança autista pode fazer contato visual.
O autismo não é definido simplesmente pela presença ou ausência de olhar nos olhos.
O que precisa ser compreendido é como a criança utiliza diferentes recursos sociais e comunicativos durante as interações.
Algumas crianças podem olhar menos para o rosto das pessoas. Outras fazem contato visual, mas apresentam diferenças em outros aspectos da comunicação e da interação.
Por isso, analisar apenas esse comportamento pode levar a interpretações equivocadas.
Comportamentos repetitivos podem ser sinais de autismo?
Movimentos ou comportamentos repetitivos podem aparecer no desenvolvimento de crianças autistas, mas também podem acontecer em crianças que não estão no espectro.
Alguns exemplos são:
- balançar o corpo;
- movimentar repetidamente as mãos;
- girar objetos;
- alinhar brinquedos;
- repetir determinadas ações;
- assistir várias vezes à mesma parte de um vídeo;
- repetir palavras ou frases;
- apresentar grande interesse por determinados assuntos.
O que ajuda a compreender melhor esses comportamentos é observar a frequência, a intensidade, o contexto e o impacto que eles têm na rotina da criança.
Sensibilidade a sons e texturas pode ser sinal de autismo?
Diferenças no processamento de estímulos sensoriais podem estar presentes em pessoas autistas.
Uma criança pode apresentar maior sensibilidade a determinados estímulos ou, em outras situações, parecer percebê-los menos.
Isso pode acontecer com:
- sons;
- luzes;
- cheiros;
- sabores;
- texturas;
- temperatura;
- contato físico;
- movimentos.
Por exemplo, uma criança pode tapar os ouvidos diante de sons que parecem comuns para outras pessoas ou apresentar grande desconforto com determinadas roupas e alimentos.
Outras podem buscar intensamente determinados movimentos ou experiências sensoriais.
Essas características, isoladamente, também não significam autismo.
Perder habilidades que a criança já tinha é um sinal de alerta?
Sim. A regressão de habilidades já adquiridas merece avaliação profissional.
Isso pode envolver, por exemplo, uma criança que utilizava determinadas palavras e deixa de utilizá-las, ou que passa a demonstrar menos interação social do que anteriormente.
A regressão pode estar associada ao autismo, mas também pode ocorrer em outras condições.
Por isso, quando pais ou responsáveis percebem perda de habilidades, é importante comunicar ao pediatra ou procurar avaliação especializada.
A Academia Americana de Pediatria destaca que algumas crianças posteriormente diagnosticadas com TEA apresentam perda de habilidades de linguagem ou maior afastamento social durante os primeiros anos.
Quando os pais devem procurar uma avaliação?
Não é necessário esperar que a criança apresente vários sinais ou que as dificuldades se tornem muito intensas.
Vale conversar com um profissional sempre que houver preocupação persistente com aspectos como:
- comunicação;
- linguagem;
- interação social;
- brincadeira;
- aprendizagem;
- comportamento;
- desenvolvimento motor;
- autonomia;
- processamento sensorial.
A percepção dos pais e responsáveis é uma parte importante da avaliação.
O Ministério da Saúde orienta que preocupações da família sobre alterações no desenvolvimento ou comportamento da criança sejam valorizadas durante o acompanhamento infantil.
Um sinal isolado significa que a criança tem autismo?
Não.
Essa é uma das informações mais importantes para pais e responsáveis.
Uma criança pode:
- demorar mais para falar;
- não gostar de determinados sons;
- apresentar movimentos repetitivos;
- preferir brincar sozinha em alguns momentos;
- não responder ao nome em determinadas situações;
e ainda assim não ser autista.
O diagnóstico não é feito por meio de uma lista de comportamentos observados isoladamente.
É necessário compreender o conjunto do desenvolvimento da criança, sua história, sua forma de comunicação, suas interações e o impacto dessas características no cotidiano.
Como é feita a avaliação dos sinais de autismo?
A avaliação do Transtorno do Espectro Autista é clínica.
Os profissionais podem observar aspectos do desenvolvimento, conversar com os responsáveis, analisar comportamentos e utilizar instrumentos específicos quando necessário.
Dependendo do caso, a avaliação pode envolver diferentes profissionais.
Também são importantes informações trazidas pelas pessoas que convivem com a criança, incluindo família e escola.
Instrumentos de rastreio podem ajudar a identificar crianças que precisam de uma investigação mais detalhada, mas não substituem uma avaliação profissional.
Por que identificar sinais de autismo precocemente é importante?
Perceber precocemente que uma criança apresenta alguma necessidade de desenvolvimento permite buscar suporte mais cedo.
Isso não significa simplesmente tentar chegar rapidamente a um diagnóstico.
O objetivo é compreender quais habilidades precisam de apoio e criar oportunidades adequadas para que a criança se desenvolva.
Inclusive, quando existe uma necessidade clara, algumas ações de acompanhamento e apoio podem começar mesmo enquanto o processo de investigação diagnóstica ainda está acontecendo. O Ministério da Saúde ressalta que o suporte ao desenvolvimento não precisa necessariamente esperar a confirmação de TEA.
Onde buscar avaliação para autismo infantil em Salvador?
Famílias de Salvador e Região Metropolitana que percebem diferenças no desenvolvimento da criança podem buscar orientação com o pediatra e, quando indicado, uma avaliação especializada.
O mais importante é que o processo considere a criança de forma individual e não apenas a presença ou ausência de determinados sintomas.
No Centro Integrar, em Salvador, o acompanhamento é desenvolvido de acordo com as necessidades de cada criança, envolvendo diferentes áreas do desenvolvimento e, quando necessário, orientação à família e integração com a escola.
Se você percebeu alguns desses sinais ou possui dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho, buscar uma avaliação pode ajudar a compreender melhor suas necessidades e definir quais são os próximos passos.