O autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição do neurodesenvolvimento que pode influenciar a maneira como uma pessoa se comunica, interage socialmente, aprende e percebe o ambiente ao seu redor.
As características do autismo podem aparecer de formas muito diferentes de uma pessoa para outra. Algumas crianças precisam de mais apoio nas atividades do dia a dia, enquanto outras apresentam maior autonomia.
Por isso usamos a palavra “espectro”: não existe uma única forma de ser autista.
Conhecer os principais sinais e acompanhar o desenvolvimento da criança ajuda a família a identificar quando é importante buscar uma avaliação especializada.
O que significa Transtorno do Espectro Autista (TEA)?
TEA é a sigla para Transtorno do Espectro Autista.
Trata-se de uma condição relacionada ao desenvolvimento neurológico que pode apresentar características principalmente em duas áreas:
- comunicação e interação social;
- comportamentos, interesses ou atividades restritos e repetitivos.
Também podem ocorrer diferenças na forma como a pessoa percebe estímulos como sons, luzes, cheiros, texturas, movimentos e contato físico.
Essas características não aparecem da mesma maneira ou com a mesma intensidade em todas as pessoas.
Uma criança autista pode apresentar dificuldades importantes na comunicação, por exemplo, enquanto outra pode falar normalmente, mas encontrar maior dificuldade em compreender situações sociais ou lidar com mudanças na rotina.
Por que o autismo é chamado de espectro?
O termo espectro representa justamente a grande variedade de características e necessidades encontradas entre pessoas autistas.
Não existe um comportamento específico capaz de definir sozinho o autismo.
Cada criança pode apresentar uma combinação diferente de habilidades, dificuldades, interesses e formas de se comunicar.
Também é importante compreender que as necessidades de suporte podem mudar ao longo da vida e em diferentes ambientes, como casa, escola ou situações sociais.
Por isso, a avaliação e o acompanhamento devem considerar a criança como um todo, e não apenas uma lista de sintomas.
Quais são os principais sinais de autismo na infância?
Os sinais do autismo podem aparecer nos primeiros anos de vida, mas variam bastante entre as crianças.
Entre os comportamentos que podem chamar a atenção estão:
- pouca resposta quando chamada pelo nome;
- dificuldade em manter ou utilizar o contato visual durante interações;
- atraso ou diferenças no desenvolvimento da fala;
- dificuldade em utilizar gestos para se comunicar;
- pouco interesse em compartilhar experiências ou interesses com outras pessoas;
- dificuldade em iniciar ou manter interações sociais;
- movimentos repetitivos;
- repetição de palavras ou frases;
- interesse muito intenso por determinados assuntos ou objetos;
- necessidade maior de previsibilidade e rotina;
- dificuldade para lidar com mudanças;
- sensibilidade aumentada ou reduzida a sons, luzes, texturas, cheiros ou outros estímulos.
A presença de um desses comportamentos isoladamente não significa que uma criança seja autista.
O desenvolvimento infantil precisa ser analisado em conjunto, considerando a idade, a frequência das características, o contexto em que aparecem e o impacto na rotina da criança.
Como saber se meu filho pode ter autismo?
Não é possível confirmar o autismo apenas observando uma característica específica ou realizando um teste pela internet.
Entretanto, pais, responsáveis e professores podem perceber diferenças no desenvolvimento que mereçam uma avaliação mais detalhada.
Alguns sinais costumam chamar atenção da família, como dificuldades persistentes de comunicação e interação, atraso no desenvolvimento da linguagem, ausência de gestos comunicativos, comportamentos repetitivos ou uma reação muito intensa a determinadas mudanças e estímulos.
Outro ponto que merece atenção é a perda de habilidades que a criança já havia adquirido, como palavras, formas de interação ou outras capacidades.
Quando existem dúvidas sobre o desenvolvimento, buscar orientação especializada pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo.
Autismo é uma doença?
O autismo não é uma doença adquirida ou contagiosa.
É uma condição do neurodesenvolvimento e acompanha a pessoa ao longo da vida.
Por esse motivo, o objetivo do acompanhamento não deve ser simplesmente fazer com que a criança deixe de apresentar características autistas.
O cuidado deve buscar compreender suas necessidades e desenvolver habilidades importantes para sua comunicação, autonomia, aprendizagem, participação social e qualidade de vida.
Cada plano de intervenção precisa ser individualizado.
O que causa o autismo?
Não existe uma causa única para o autismo.
As evidências científicas indicam a participação de diferentes fatores, especialmente genéticos, associados ao desenvolvimento neurológico.
Pesquisas continuam investigando como diferentes fatores genéticos e ambientais podem estar relacionados ao desenvolvimento do TEA.
É importante destacar que vacinas não causam autismo.
Também não há evidências de que o autismo seja provocado pela forma como os pais educam a criança, pela falta de afeto ou por comportamentos da família.
Como é feito o diagnóstico do autismo?
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista é clínico.
Isso significa que não existe um único exame de sangue, exame de imagem ou teste laboratorial capaz de confirmar sozinho o diagnóstico.
O processo pode envolver a análise do desenvolvimento da criança, entrevistas com os responsáveis, observação do comportamento e utilização de instrumentos específicos de avaliação.
Dependendo das necessidades da criança, diferentes profissionais podem participar do processo de investigação.
Mais importante do que apenas identificar um diagnóstico é compreender quais são as habilidades, dificuldades e necessidades individuais daquela criança.
Essas informações ajudam a orientar o acompanhamento e a definir objetivos adequados para o desenvolvimento.
Qual profissional pode avaliar uma criança com sinais de autismo?
Ao perceber diferenças ou atrasos no desenvolvimento, a família pode inicialmente conversar com o pediatra ou procurar um profissional especializado em desenvolvimento infantil.
Conforme o caso, a avaliação pode envolver profissionais de diferentes áreas.
Uma equipe multidisciplinar pode incluir profissionais como:
- neuropediatra;
- psiquiatra infantil;
- psicólogo;
- fonoaudiólogo;
- terapeuta ocupacional;
- outros profissionais especializados em desenvolvimento infantil.
A composição da equipe depende das necessidades apresentadas por cada criança.
Quanto mais cedo identificar o autismo, melhor?
Identificar necessidades de desenvolvimento precocemente permite que a criança receba suporte adequado mais cedo.
Isso não significa que exista uma idade limite para desenvolver novas habilidades.
Crianças, adolescentes e adultos podem aprender e desenvolver autonomia ao longo da vida.
Na infância, entretanto, acompanhar o desenvolvimento desde cedo permite que família e profissionais identifiquem áreas que precisam de maior atenção e criem oportunidades de aprendizagem adequadas às necessidades da criança.
Também não é necessário esperar necessariamente a conclusão de todo o processo diagnóstico para buscar orientação quando existem atrasos ou dificuldades importantes no desenvolvimento.
Como é o acompanhamento de uma criança autista?
Não existe um único tratamento ou uma mesma quantidade de terapias adequada para todas as crianças autistas.
O acompanhamento deve partir de uma avaliação individual.
Dependendo das necessidades identificadas, podem ser trabalhadas habilidades relacionadas a:
- comunicação;
- interação social;
- autonomia;
- brincadeira;
- aprendizagem;
- habilidades motoras;
- atividades do cotidiano;
- alimentação;
- regulação emocional;
- processamento sensorial;
- participação na escola e em outros ambientes.
A família também desempenha um papel importante nesse processo.
Quando responsáveis, profissionais e escola conseguem trabalhar de forma integrada, as habilidades desenvolvidas durante as intervenções podem ser utilizadas com mais facilidade em situações reais do dia a dia.
O que é intervenção baseada em ABA?
ABA é a sigla em inglês para Applied Behavior Analysis, ou Análise do Comportamento Aplicada.
A ABA utiliza princípios científicos da aprendizagem e do comportamento para compreender habilidades que precisam ser desenvolvidas e criar estratégias individualizadas de ensino.
Em crianças autistas, esses princípios podem ser aplicados ao desenvolvimento de habilidades como comunicação, autonomia, interação, brincadeira e realização de atividades do cotidiano.
A intervenção deve ser planejada a partir das necessidades individuais da criança, com objetivos claros e acompanhamento dos resultados ao longo do processo.
A família participa do acompanhamento?
A participação da família pode fazer parte do processo de desenvolvimento da criança.
Pais e responsáveis convivem com situações que acontecem fora do ambiente terapêutico: refeições, banho, brincadeiras, passeios, tarefas escolares, mudanças de rotina e interação com outras pessoas.
Por isso, orientações direcionadas à família podem ajudar a compreender comportamentos, organizar situações do cotidiano e favorecer a utilização das habilidades aprendidas em diferentes ambientes.
O objetivo não é transformar os pais em terapeutas, mas oferecer informações e estratégias que facilitem a rotina familiar e promovam maior autonomia para a criança.
Como o acompanhamento escolar pode ajudar crianças autistas?
A escola ocupa uma parte importante da rotina infantil.
Para algumas crianças autistas, características relacionadas à comunicação, interação social, atenção, autonomia ou processamento sensorial podem interferir na participação nas atividades escolares.
Quando necessário, o acompanhamento pode ajudar a identificar barreiras presentes nesse ambiente e orientar estratégias que favoreçam aprendizagem, participação e inclusão.
O trabalho integrado entre família, escola e profissionais permite que os objetivos sejam adaptados às situações que realmente fazem parte da vida da criança.
Quando procurar uma avaliação especializada?
Vale buscar orientação profissional sempre que existirem dúvidas consistentes sobre o desenvolvimento da criança.
Não é necessário esperar que todos os sinais de autismo estejam presentes.
A avaliação também não deve ser encarada como uma tentativa de encontrar obrigatoriamente um diagnóstico.
Seu objetivo é compreender melhor como a criança está se desenvolvendo e se existe necessidade de algum tipo de suporte.
Pais e responsáveis conhecem profundamente a rotina de seus filhos. Quando algo no desenvolvimento desperta preocupação de forma recorrente, essa percepção merece ser ouvida.
Onde buscar acompanhamento para autismo em Salvador?
Famílias que vivem em Salvador e Região Metropolitana podem buscar profissionais e centros especializados em desenvolvimento infantil e Transtorno do Espectro Autista.
O ideal é procurar um serviço que realize uma avaliação individualizada e que consiga integrar profissionais, família e, quando necessário, a escola da criança.
O Centro Integrar, localizado em Caminho das Árvores, em Salvador, desenvolve acompanhamento especializado para crianças com TEA e outras necessidades relacionadas ao desenvolvimento.
A proposta de trabalho considera as características individuais de cada criança e pode envolver intervenções em diferentes contextos, além de orientação familiar e acompanhamento escolar.
Se você percebeu sinais no desenvolvimento do seu filho ou possui dúvidas sobre o autismo, uma avaliação pode ser o primeiro passo para compreender melhor suas necessidades.
Fale com a equipe do Centro Integrar e saiba como funciona o processo de avaliação e acompanhamento.