O diagnóstico de autismo em crianças é realizado a partir de uma avaliação cuidadosa do desenvolvimento, da comunicação, das interações sociais e dos comportamentos apresentados pela criança.
Não existe um único exame de sangue, exame de imagem ou teste capaz de confirmar sozinho o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O diagnóstico é clínico e considera diferentes informações: a observação da criança, seu histórico de desenvolvimento, relatos dos pais ou responsáveis e, quando necessário, informações da escola e de outros profissionais que acompanham a criança.
Mais do que chegar a um diagnóstico, a avaliação busca compreender como aquela criança se desenvolve, quais são suas habilidades e em quais áreas ela pode precisar de apoio.
Quando iniciar uma avaliação para autismo?
A avaliação pode ser iniciada sempre que pais, responsáveis, professores ou profissionais de saúde perceberem diferenças ou atrasos no desenvolvimento da criança.
Alguns sinais que podem levar a uma investigação incluem:
- pouca resposta ao próprio nome;
- atraso ou diferenças no desenvolvimento da fala;
- pouco uso de gestos para se comunicar;
- dificuldade em compartilhar interesses;
- diferenças na interação social;
- movimentos ou comportamentos repetitivos;
- interesses muito intensos ou restritos;
- dificuldade significativa diante de mudanças;
- diferenças na maneira de reagir a sons, luzes, texturas ou outros estímulos;
- perda de habilidades que a criança já havia adquirido.
Não é necessário esperar que vários sinais apareçam ao mesmo tempo.
Quando existe uma preocupação persistente com o desenvolvimento infantil, buscar orientação profissional pode ajudar a entender melhor o que está acontecendo.
Como começa o diagnóstico de autismo infantil?
Em muitos casos, o processo começa com uma preocupação percebida pela própria família.
Os responsáveis podem notar, por exemplo, que a criança ainda não fala como esperado, não responde frequentemente ao nome, apresenta comportamentos repetitivos ou interage de maneira diferente de outras crianças da mesma faixa etária.
Essas observações podem ser levadas inicialmente ao pediatra ou diretamente a profissionais especializados em desenvolvimento infantil.
A escola também pode contribuir com informações importantes, principalmente sobre comunicação, interação com outras crianças, participação nas atividades e adaptação à rotina.
A partir dessas informações, pode ser indicada uma avaliação mais aprofundada.
Como é feita a avaliação para autismo?
A avaliação do autismo não costuma se resumir a uma única pergunta ou comportamento.
Os profissionais procuram compreender diferentes áreas do desenvolvimento infantil.
Entre elas:
- comunicação verbal e não verbal;
- interação social;
- brincadeira;
- interesses;
- comportamentos repetitivos;
- flexibilidade diante de mudanças;
- desenvolvimento cognitivo;
- habilidades motoras;
- autonomia;
- processamento sensorial;
- histórico do desenvolvimento.
Também são consideradas informações sobre quando a criança começou a sentar, andar, falar, brincar, utilizar gestos e desenvolver outras habilidades.
O objetivo é formar uma visão ampla do desenvolvimento da criança.
O diagnóstico de autismo pode ser feito em uma única consulta?
Nem sempre.
Algumas situações são mais claras, enquanto outras exigem acompanhamento e avaliação em diferentes momentos e contextos.
Durante o processo, podem ser necessárias entrevistas com os responsáveis, observações da criança, aplicação de instrumentos específicos e informações fornecidas por outros profissionais ou pela escola.
Por isso, não é recomendado reduzir uma avaliação de autismo a uma observação rápida ou a um questionário preenchido isoladamente.
O diagnóstico precisa considerar o desenvolvimento da criança como um todo.
Qual profissional faz o diagnóstico de autismo?
O processo pode envolver profissionais de diferentes áreas do desenvolvimento infantil.
Dependendo das necessidades da criança, podem participar:
- pediatra;
- neuropediatra;
- psiquiatra infantil;
- psicólogo;
- fonoaudiólogo;
- terapeuta ocupacional;
- outros profissionais especializados em desenvolvimento.
Cada profissional observa aspectos específicos e pode contribuir com informações importantes para a compreensão do quadro.
Em muitos casos, uma avaliação multiprofissional permite entender não apenas se existem características compatíveis com TEA, mas também quais habilidades precisam de maior suporte.
O que os profissionais observam durante a avaliação?
A avaliação considera principalmente dois grandes grupos de características relacionadas ao TEA:
Comunicação e interação social
Os profissionais podem observar como a criança:
- responde quando é chamada;
- utiliza o olhar durante as interações;
- aponta ou utiliza outros gestos;
- pede ajuda;
- compartilha interesses;
- inicia interações;
- responde às tentativas de interação;
- conversa;
- brinca com outras pessoas;
- compreende diferentes situações sociais.
Comportamentos, interesses e padrões repetitivos
Também podem ser observadas características como:
- movimentos repetitivos;
- repetição de palavras ou frases;
- necessidade de determinadas rotinas;
- dificuldade diante de mudanças;
- interesses muito intensos;
- formas repetitivas de brincar;
- reações diferentes a estímulos sensoriais.
Nenhuma dessas características deve ser considerada isoladamente.
É o conjunto das informações que ajuda os profissionais a compreender o desenvolvimento da criança.
O que é o M-CHAT-R/F?
O M-CHAT-R/F é um instrumento utilizado para rastrear sinais de risco para o Transtorno do Espectro Autista em crianças pequenas.
Ele contém perguntas sobre comportamentos relacionados à comunicação, interação e desenvolvimento.
No Brasil, o Ministério da Saúde informa que o instrumento pode ser utilizado entre 16 e 30 meses de idade.
É importante entender a diferença:
o M-CHAT-R/F é um instrumento de rastreio, não um teste diagnóstico.
Isso significa que um resultado indicando risco não confirma que a criança seja autista.
Da mesma maneira, nenhum questionário disponível na internet deve substituir uma avaliação profissional.
Existe exame para diagnosticar autismo?
Não existe atualmente um exame laboratorial ou de imagem que, sozinho, confirme ou descarte o autismo.
O diagnóstico é essencialmente clínico.
Em algumas situações, o profissional pode solicitar exames complementares.
Esses exames não são feitos para “provar” a presença do autismo, mas podem ser necessários para investigar outras condições, características associadas ou possíveis explicações para determinados sintomas.
A necessidade de exames é definida individualmente.
Exames genéticos são necessários para diagnosticar autismo?
O autismo possui uma importante contribuição genética, mas isso não significa que exista um exame genético capaz de identificar todos os casos de TEA.
Dependendo do histórico e das características da criança, o médico pode considerar a investigação genética ou solicitar outras avaliações.
Esses exames podem ajudar a investigar determinadas condições associadas, mas o diagnóstico de autismo continua sendo clínico.
Com que idade o autismo pode ser diagnosticado?
Alguns sinais relacionados ao TEA podem ser observados ainda nos primeiros anos de vida.
O Ministério da Saúde informa que sinais de alerta podem ser percebidos desde os primeiros meses e que o diagnóstico costuma ser estabelecido por volta dos 2 a 3 anos de idade.
Isso não significa que seja necessário esperar a criança completar 2 ou 3 anos para procurar ajuda.
Quando existem sinais de alerta, a avaliação do desenvolvimento pode começar antes.
Quanto mais cedo as necessidades da criança forem compreendidas, mais cedo família e profissionais podem oferecer os apoios adequados.
É preciso esperar o diagnóstico para começar o acompanhamento?
Nem sempre.
Se a criança apresenta atraso na fala, dificuldades de comunicação, interação, alimentação, habilidades motoras ou outras necessidades de desenvolvimento, essas dificuldades podem ser acompanhadas mesmo enquanto o processo de investigação está acontecendo.
O suporte deve estar relacionado às necessidades reais da criança, e não apenas à existência de um diagnóstico fechado.
Por isso, esperar meses ou anos por uma conclusão diagnóstica antes de oferecer qualquer apoio pode significar perder oportunidades importantes de desenvolvimento.
A escola participa do processo de avaliação?
A escola não realiza o diagnóstico clínico de autismo, mas pode fornecer informações importantes.
É no ambiente escolar que muitas crianças passam várias horas do dia e encontram situações diferentes das vivenciadas em casa.
Professores podem perceber aspectos relacionados a:
- interação com outras crianças;
- comunicação;
- participação nas atividades;
- brincadeiras;
- aprendizagem;
- mudanças de rotina;
- autonomia;
- comportamento em grupo.
Essas observações podem complementar as informações apresentadas pela família e ajudar os profissionais a compreender como a criança se comporta em diferentes ambientes.
O diagnóstico de autismo define tudo sobre a criança?
Não.
Duas crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista podem apresentar características e necessidades completamente diferentes.
Uma pode precisar de mais apoio na comunicação, enquanto outra pode ter maior dificuldade em lidar com situações sociais, mudanças ou estímulos sensoriais.
Por isso, o diagnóstico é apenas uma parte do processo.
Uma boa avaliação também procura identificar:
- potencialidades;
- habilidades já desenvolvidas;
- dificuldades;
- necessidades de suporte;
- objetivos importantes para a criança e sua família.
Essas informações são fundamentais para planejar um acompanhamento individualizado.
O que acontece depois do diagnóstico de autismo?
Depois da avaliação, os profissionais podem orientar a família sobre as necessidades identificadas e os próximos passos.
Dependendo de cada criança, o acompanhamento pode envolver áreas como:
- psicologia;
- fonoaudiologia;
- terapia ocupacional;
- fisioterapia;
- intervenção comportamental;
- acompanhamento escolar;
- orientação familiar;
- outras especialidades.
Nem toda criança precisa das mesmas terapias ou da mesma intensidade de acompanhamento.
O planejamento deve considerar as necessidades individuais, a rotina da criança e os objetivos definidos em conjunto com a família.
O diagnóstico de autismo pode mudar com o tempo?
O desenvolvimento infantil é dinâmico.
Habilidades podem surgir, dificuldades podem se modificar e as necessidades de suporte podem mudar conforme a criança cresce.
Por isso, o acompanhamento não deve se limitar ao momento em que o diagnóstico é realizado.
Reavaliações ao longo do desenvolvimento ajudam a entender quais objetivos continuam importantes e quais estratégias precisam ser modificadas.
O foco deve estar sempre nas necessidades atuais da criança.
Como os pais podem se preparar para uma avaliação de autismo?
Antes da avaliação, pode ser útil reunir algumas informações sobre o desenvolvimento da criança.
Os responsáveis podem anotar:
- quando surgiram as primeiras preocupações;
- quando a criança começou a falar;
- como utiliza gestos;
- como brinca;
- como interage com adultos e outras crianças;
- comportamentos que chamam atenção;
- reações a mudanças;
- sensibilidades a sons, alimentos ou texturas;
- habilidades que já desenvolveu;
- se houve perda de alguma habilidade.
Vídeos de situações espontâneas do cotidiano também podem ser úteis quando o profissional considerar adequado analisá-los.
Relatórios da escola e avaliações realizadas anteriormente também podem contribuir para o processo.
Onde buscar diagnóstico de autismo pelo SUS?
Para famílias que desejam iniciar a investigação pelo Sistema Único de Saúde, o primeiro passo pode ser procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência.
A equipe pode realizar a avaliação inicial do desenvolvimento e, quando necessário, encaminhar a criança para serviços especializados.
Dependendo da região, o atendimento especializado pode acontecer em serviços como Centros Especializados em Reabilitação (CER), Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) ou outros serviços de referência.
Onde buscar avaliação para autismo infantil em Salvador?
Famílias de Salvador e Região Metropolitana que percebem sinais diferentes no desenvolvimento da criança podem procurar profissionais ou serviços especializados em desenvolvimento infantil.
Mais importante do que simplesmente buscar um diagnóstico é encontrar uma equipe capaz de compreender a criança de maneira individualizada.
No Centro Integrar, em Salvador, o acompanhamento considera diferentes áreas do desenvolvimento da criança e pode envolver profissionais de diferentes especialidades, além de orientação à família e integração com o ambiente escolar.
Se existem dúvidas sobre a comunicação, interação, comportamento ou desenvolvimento do seu filho, buscar uma avaliação profissional pode ajudar a compreender melhor suas necessidades e definir os próximos passos.